Bicho não é brinquedo

Felicia_Looney-Tunes

Outro dia estava passando por um shopping e vi uma placa em frente a uma pet shop com os seguintes dizeres: “Nesta Páscoa, dê um coelhinho de presente para suas crianças”. O coelho em questão não era de chocolate, e sim um animal de verdade, de carne, osso e pelos. Num outro momento, fomos a uma festa de aniversário em que a lembrancinha era um peixe, vivinho da silva. Deve ter sido para combinar com o tema: “A Pequena Sereia”.

Quando eu era criança, e

xistia o hábito de darem pintinhos vivos de brinde nas feiras. Ou peixes ornamentais. Sinceramente, depois de tantas leis de proteção ambiental, eu pensava que este assunto estava enterrado, tamanha a crueldade que ele envolve. Mas não, não está. Tem muita gente – especialmente pessoas que tem filhos – que acha que não existe diferença entre um bicho de pelúcia e um de verdade. Acha que pode dar um coelho, um cachorro, um gato, um rato, ou o que quer que seja de presente, para que este se torne o brinquedo da casa.

Pois é. Só que animais estão vivos. Não são seres inanimados. Assim como eu e você, eles também tem sistema nervoso central. Portanto, sentem frio, fome, medo, dor, vontades. Se ninguém, em sã consciência, dá um bebê embalado para presente dentro de uma gaiola, não seria justo que aplicássemos a mesma lógica aos bichos?

Muitos animais chegam nas casas e acabam servindo de experiência para as crianças. As pequenas ainda não tem noção da sua própria força e do quanto podem machucar o outro. Um pintinho nas mãos de um bebê de dois anos, por exemplo, pode morrer esmagado. Um cachorrinho pode ter seu rabo quebrado. Um coelhinho pode ser jogado no vaso sanitário em segundos. E a culpa não é do “bebê-malvado-com tendências-psicopatas”. Ele não tem maturidade neurológica para entender que o bicho tem sentimentos. Mas seu pai e sua mãe tem. Então, pra quê expor um ser vivo a tanta tortura? Para satisfazer a quem? Quando o bicho reage a alguma agressão, a coisa fica pior: a família joga-o na rua, no lixo, como se não servisse para mais nada. A quantidade de animais abandonados vagando por aí provam o que estou dizendo.

Os animais são grandes companheiros e tem muito a ensinar. A convivência das crianças com eles pode ser muito proveitosa para ambos os lados. Mas acho que a primeira lição que podemos dar aos nossos filhos é o respeito a outras formas de vida. Começando por esperar que eles atinjam uma idade em que entendam a necessidade de cuidar e controlar seus ímpetos. E depois, mostrando a eles que bicho não se compra, nem se oferece como lembrancinha de Páscoa ou aniversário. Como nós, o animal não gosta de estar exposto numa vitrine de shopping, numa jaula de zoológico, num cercado de fazendinha, num aquário. Deve estar livre, como todos que dividem conosco este imenso planeta. Bicho deve ser adotado como alguém da família, escolhido com amor, para ser alguém que vai compartilhar nosso espaço por muitos anos. Se acabarmos com esta noção de superioridade da raça humana desde cedo, o mundo só tem a melhorar.

 


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