Caso Joaquim: cuidemos de nossos filhos

menino+joaquim+reproducaoDesde que meu filho nasceu, não consigo mais ler notícias sobre assassinatos de crianças, desaparecimento, violência e maus tratos. Fico tão mobilizada que chego a passar mal. Entretanto, em tempos de redes sociais bombando, infelizmente, não tive como escapar da notícia da morte do menino Joaquim, em Ribeirão Preto. Li. Chorei. Nem tanto pelo trágico final da história e sim pelo que pode ter sido a vidinha dele. Nenhuma criança de 3 anos que tenha sido amada, cuidada, e suficientemente protegida acabaria desta forma. Sim, você vai dizer que tragédias acontecem. Também acho. Por outro lado, é muito mais fácil botar a culpa na tragédia do que reconhecer erros e descasos que podem ter levado à dita cuja tragédia.

É só colocar o estômago de molho e ler a história com calma. Não para julgar ninguém e sim para olhar para dentro de nós mesmos e perceber se nós também não estamos fechando os olhos para nossos filhos em prol dos nossos próprios desejos. A mãe do Joaquim é casada com um rapaz dependente de cocaína, com quem tem um bebê de 4 meses. Pelo relato que deram à polícia, foi justamente este padrasto que colocou o menino para dormir à meia-noite. Logo depois ele teria saído de casa para comprar drogas, deixando a porta aberta. Imaginei de que forma ele acalentou o menino na cama. Só foram notar a falta do Joaquim na manhã seguinte. Durante todo o relato, eu me perguntei onde estava a mãe, que não viu o menino ir dormir, nem o marido sair, nem nada a noite inteira – mesmo tendo um bebê de 4 meses, que, como se sabe, em geral, acorda de madrugada. A mãe parecia não saber de nada, não ver nada, não estar em lugar nenhum. E confiava seu filho pequeno nas mãos de um cocainômano, a quem diz amar. Não sei quem matou o menino, e nem é disso que gostaria de tratar aqui. Só queria dizer que a ausência pode ser a pior arma. Sobretudo nas mãos das mães.

A aclamada terapeuta argentina Laura Gutman, em seu ultimo livro lançado no Brasil, O Poder do Discurso Materno, afirma categoricamente que não existe nenhuma violência ou abuso possível de uma criança sem o consentimento das mães. “Por mais que pareça muito duro o que quero explicar, o abuso infantil necessita indefectivelmente do aval da mãe”, diz. Por inúmeras razões, que não me cabe aqui julgar, são as mães que entregam seus filhos de bandeja a toda sorte de violência. Ao ver o resultado, elas choram e se desesperam, claro. Mas foram elas que abriram mão de suas crianças – ainda que tenha sido por omissão.

Minha intenção não é apedrejar as mães e sair apontando o dedo como um baluarte da moral da família brasileira. Mas também não quero passar a mão na cabeça de ninguém. Acho que temos uma longa caminhada de aprendizado, que pode se tornar perigosa se não pararmos de vez em quando para analisar nosso trajeto. Nos olhos do Joaquim, encontrei o olhar de inocência do meu filho. Quem mais deveria ter olhado para ele?

 

 

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