A hora de pegar a mamadeira

Desde que contei no meu blog Chá de Bergamota como foi difícil introduzir a mamadeira na vida da minha filha, todos os dias, pelo menos uma pessoa acessa o blog em busca de informações sobre o tema. Também são muito frequentes as perguntas sobre o assunto vindas quase sempre de mães desesperadas porque precisam voltar ao trabalho e seu bebê só mama no peito. Por tudo isso, preparei um material sobre o assunto (confira abaixo os links para os outro post já publicado sobre o tema).

Vou começar com uma pensata. Por que raios esse assunto causa tanta angústia, dúvida, ansiedade e confusão? Arrisco-me a dizer que é porque ele vai muito além da nutrição. Vai além também do tal vínculo mãe-bebê. Afinal de contas, alguém é capaz de inferir que uma mulher que não amamentou tem um vínculo pior com seu rebento do que aquela que amamentou? Não, né? Vínculo a gente estabelece de várias formas. Nutrição, quando se tem acesso, também pode ser compensada por outras substâncias. Então por quê?

Para responder, recorro à frase da pediatra Regina Maria Rodrigues, médica da Valentina, que muito gentilmente atendeu meu pedido de escrever sobre o assunto para o meu blog: “A vida é uma série de desmames. Do útero para fora, da casa para escola, da escola para o trabalho… E todos envolvem perdas e ganhos.” E é aí que moram todos os problemas. Em geral, quem sofre ao oferecer a mamadeira para o bebê está também sofrendo porque este é um marco de independência da criança. Quando o bebê torna-se capaz de mamar por um bico artificial, é um dos primeiros sinais de que a mãe está se tornando um pouco menos imprescindível. E isso doi. Doi porque ser a dona, a fabricante exclusiva do “melhor alimento que uma criança pode receber”, como costuma-se dizer, nos confere poder, orgulho, importância. Digo com a propriedade de quem permaneceu com os seios transbordantes por meses e meses, de quem calava escândalos simplesmente oferecendo o seio e o conforto do colo.

Por tudo isso, como diz Regina Maria: “O desmame não é um evento isolado e, sim, um processo que faz parte da evolução da mulher como mãe e do desenvolvimento da criança assim como sentar, engatinhar e andar.” Antes de mais nada, nós mães, precisamos estar preparadas para passar por esse momento. E aqui vão algumas dicas da médica de posturas que podem ajudar nesse processo:

* Tente estar segura do que você quer;

* Entenda que o processo pode ser lento;

* Tenha paciência;

* Fique atenta à criança;

* Evite que outras mudanças importantes (uma nova casa, uma nova babá, pai viajando, por exemplo) ocorram no mesmo período.

Hoje, quase um ano depois de parar de amamentar, consigo reavaliar a situação e percebo que nem eu, nem minha filha estávamos preparadas para a mamadeira quando, por causa da minha volta ao trabalho, tentei introduzi-la pela primeira vez. Nunca vou saber se foi isso mesmo, mas acredito que os outros métodos (o copo, a seringa ou a colher) também não deram certo pelo mesmo motivo. Embora eu estivesse muito feliz por poder retomar uma vida só minha, por voltar ao meu trabalho, foi muito difícil delegar o cuidado da Valentina por tantas horas a uma outra pessoa – ela ficou com uma babá até os onze meses de vida. Tanto é que eu acabei optando mudar meu esquema de trabalho e montar um escritório em casa para ficar mais perto dela.

Digo tudo isso porque espero ajudar quem agora está passando por aquilo que passei. As vezes, imersas em uma situação difícil, não conseguimos pensar em tudo o que está envolvido ali. Foi o que aconteceu comigo e pode ser o que está acontecendo com vocês.

Abaixo segue o depoimento da enfermeira Denise de Paula, especialista em puericultura e mãe de duas crianças muito bem criadas. Trata-se de um trecho de seu texto: “A crueldade do desmame”.

“Agora entendo algumas coisas. Se for fácil ou difícil a introdução da mamadeira, você vai sofrer! Chorei quando aos 11 meses meu filho, um belo dia, não quis mais o peito, quando o deixei na escola pela primeira vez e ele nem se virou pra me dar um beijo, mas chorei muito mais quando ele mudou de escola e fez escândalos para se adaptar, quando o deixei pela primeira vez sozinho numa festinha de aniversário, quando recentemente me vi obrigada a ensiná-lo a ir de metrô sozinho da Vila Madalena para a Vila Mariana.Tive que fazer um exercício para não deixar a ansiedade me dominar!

Entendeu o que eu disse sobre chorar por um filho? Não há nada de mal nisso, mas você precisa prepará-lo e ensiná-lo a dar esse próximo passo com segurança, para depois deixar acontecer. Isso sim é nossa obrigação como mães! Com relação ao assunto do metrô, fiz o percurso três vezes com ele até que o deixei ir sozinho: eu engasgada e ele feliz da vida!”

Confira outro post sobre o tema publicado no Chá de Bergamota: Como eu faço para o meu bebê pegar a mamadeira?


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