Chá de Fralda: Não tem comparação

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Se tem uma coisa que me tira do sério são aquelas pessoas que cismam em comparar crianças, exaltando características específicas de uma delas, e assim diminuindo a outra. Tenho pensamentos macabros neste momento, como a possibilidade de cortar fora a língua da criatura.

Quando eu era pequena, cansei de ouvir adultos perguntarem por que será que minha prima da mesma idade era tão mais alta do que eu. Por muito tempo, achei que o problema era comigo. Vivia querendo fazer tratamento para crescer. “Nossa, como elas são parecidas! Só que uma delas esqueceu de crescer, né?”. Não tem graça. E a crueldade da comparação nem sempre vem escancarada assim. Em geral, aparece mascarada por um elogio. As duas são lindas – pena que uma é baixinha.

Meus dois filhos nasceram grandes, gorduchos, rosados, de olhos azuis. Então, a maledicência chega mais ou menos assim: “Como seu bebê é grande! Pois é, o meu é tão magrinho…”. “Sua filha já fica em pé? Puxa, a minha ainda é meio mole, nem engatinha.” “Ela é muito esperta, está quase falando. Coitado do meu sobrinho, já passa de 1 ano e não fala nada”.

Entendo que, para nós, adultos que crescemos nesta sociedade em que há competição até para saber quem chupa picolé mais rápido, comparações são meio inevitáveis. A gente vê uma criança maior, com mais habilidades, e imediatamente pensa: “Por que meu filho não é assim também?”. Eu confesso que passo o dia me policiando para nunca, jamais, em tempo algum, comparar um filho a outro.

Porque, para mim, é mais do que evidente que cada criança é uma. Achei que nunca fosse preciso verbalizar esta obviedade. Não é porque um aprendeu a jogar bola igual ao Neymar com dois anos de idade que o outro deve ser chamado de perna de pau. Ou que a menina que sabe sambar perfeitamente aos cinco anos tem mais gingado para a dança do que a outra que mal sabe se mexer.

Crianças ouvem, crianças entendem. E pior: acreditam no que os adultos dizem porque ainda não tem discernimento para compreender certas sutilezas (e malvadezas) do discurso. Então elas acabam vestindo a carapuça de que realmente não são tão interessantes quanto deveriam ser. O estrago costuma ser mais relevante quando os interlocutores são pais ou cuidadores.

Comparações, ainda que sutis (“Veja como o fulano consegue nadar e você fica aí, morrendo de medo de entrar na água!”), são como erva daninha na formação dos pequenos. Lembrando que nosso papel é justamente o contrário: fortalecer a auto-estima dos nossos filhos. Até porque o mundo lá fora, aquele moinho que tritura tudo, se encarregará do resto.


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