Chá de Fralda: Você sabe brincar?

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Põe o dedo aqui quem consegue se dedicar com vontade às brincadeiras infantis sem desistir rápido. Estou me referindo a participar ativamente dos jogos, entrar mesmo na história. Brincar com as crianças parece algo elementar, fácil. Mas não é, não. Exige disponibilidade, entrega, paciência, determinação para nos desconectarmos um pouco do mundo e nos dedicarmos apenas aos pequenos. Este momento é de importância vital para eles. É brincando com os pais que os filhos estabelecem vínculos, expressam sentimentos, fortalecem habilidades e nos mostram como interagem com o mundo. Ou seja: é assim que eles crescem mais saudáveis.

Entretanto, para nós, adultos, que já deixamos as brincadeiras de lado há tempos, a coisa é mais complicada. A terapeuta argentina Laura Gutman propôs, certa vez, a alguns pais que dedicassem apenas 15 minutos por dia somente aos filhos. Não poderiam estar com nenhuma distração por perto – nada de telefone, celular, tablet, computador, televisão. Só 15 minutinhos dedicados exclusivamente às crianças. Não seria necessário interagir com elas, caso não quisessem. Apenas deveriam estar ali, disponíveis, por inteiro, sem dispersar. O resultado da pesquisa foi surpreendente: logo nos primeiros minutos, todos os pais demonstraram intensa inquietação e desconforto. Pensando que já estavam ali sentados havia horas, ficavam perplexos ao serem informados tinham passado menos de 5 minutos.

Eu costumo brincar muito com meus filhos, mas confesso que me pegava o tempo todo inventando outra coisa para fazer no meio da brincadeira. Sempre tinha uma tarefa doméstica para finalizar, um e-mail para responder, uma mensagem para checar. No meu caso, percebi que as “escapadas” aconteciam quando a brincadeira começava a entrar numa esfera que não tenho muito controle: a fantasia.

Outro dia, me vi acuada porque precisava me transformar num robô-jogador-de-futebol-com-capa-de-super-herói. Ou então numa barata (arrgh) parecida com o Luke Skywalker, mas que também poderia ser o Batman, inventor de uma incrível arma de pum fedorento. “Meu Deus, filho, como é que isso funciona?”, perguntei, já com a mente cansada, louca para dar logo uma sapeada no Facebook. “Sei lá, mãe. Você não sabe inventar?”

Pois é. Aí é que está. Brincar não requer racionalização – caso contrário a coisa fica chata mesmo. Precisamos deixar o cabeção de lado e criar. Quanto mais maluca for a história, mais divertida fica a brincadeira (por que você acha que os personagens lisérgicos fazem tanto sucesso com as crianças? É só pensar no Bob Esponja e nas Tartarugas Ninja, por exemplo). Não presisa ter sentido lógico nenhum. A regra é não ter regra.

Quando a gente se dá conta disso, brincar passa a ser uma diversão (não só para as crianças). Vez por outra me pego discutindo (seriamente) com meu filho porque acabei de inventar uma personagem e hoje, só hoje, quero ser ela. E ele insiste que eu seja o Homem Aranha, tão sem graça o pobre. Esse danado mal pode esperar quando encontrar a incrível lesma comedora de meleca que inventei . É bom lembrar que esta abominável criatura só costuma agir contra crianças que não querem tomar banho. E aí começa outra história…


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