Amamentação [parte 1]

LEITE MATERNO – O ALIMENTO COMPLETO (PARTE I)

Hoje e na coluna da próxima semana, vou compartilhar com vocês algumas dúvidas que tive logo após o nascimento do meu caçula. Eu sempre ouvi falar que a amamentação é um momento mágico – e eu também achava, pois com a minha primeira filha não tive grandes problemas. Mas o que nem sempre avisam é que esse momento também pode ser muito complicado, já que nem sempre os bebês esperam completar as 40 semanas de gestação para decidir vir ao mundo. Quando eles resolvem chegar antes – ou bem antes –, algumas coisas não são tão simples. Além do susto que nos dão, os prematuros ainda não estão totalmente preparados para a vida neste mundo – assim como aconteceu com o meu pequeno, que, pasmem, nem mesmo mamar sabia. E nós, mamães, claro, ficamos muito apreensivas.

Sabendo que muitas grávidas ou até mães que já estão com seus pequenos nos braços ainda podem ter muitas dúvidas sobre amamentação e assuntos relacionados, e esperando ajudá-las a encarar esse período crítico (assim como foi a minha experiência), eu conversei com a nutricionista Luara Bellinghausen Almeida, especialista em nutrição materno-infantil (UNIFESP), mestre e doutoranda em Nutrição em Saúde Pública (USP), e professora universitária. A Luara, de uma maneira muito simples e direta, esclareceu as minhas principais dúvidas. Vamos lá?

1) QUANTO TEMPO APÓS O NASCIMENTO DO BEBÊ O LEITE COMEÇA A VIR?
A descida do leite, ou apojadura, ocorre geralmente no terceiro dia após o nascimento do bebê, mas este tempo é variável entre as mulheres. Nos primeiros dias é produzido e secretado o colostro, um líquido de cor amarelada, que é rico em vitaminas, proteínas e anticorpos. Ele ocorre em pequena quantidade – muitas vezes a mãe nem percebe a sua produção –, mas é bastante importante para o sistema imunológico do bebê, já que é a primeira defesa que ele recebe. Por volta do quinto dia, a mãe passa a produzir o leite de transição. Isso ocorre até por volta do décimo dia, quando ela já produz o chamado leite maduro, suprindo todas as necessidades do recém-nascido. Este processo de transformação do leite materno adequa-se ao amadurecimento gradual do trato gastrointestinal do bebê, que vai melhorando a sua capacidade de digestão e de absorção dos nutrientes durante o primeiro semestre de vida.

É importante destacar que, para que a descida do leite aconteça satisfatoriamente, é fundamental que as mamas sejam estimuladas. Logo após o nascimento e daí em diante, o bebê deve ser colocado ao seio e incentivado a sugar. Quanto mais o bebê sugar, maior será a produção e ejeção do leite. Fisiologicamente, a sucção do bebê nos mamilos gera estímulos nervosos que atuam no cérebro, na região do hipotálamo, estimulando a glândula hipófise. Esta glândula produz/libera dois hormônios fundamentais para a lactação: a prolactina, responsável por ativar a produção do leite nas glândulas mamárias, e a ocitocina, responsável pela contração das estruturas mamárias onde o leite fica armazenado, permitindo a sua saída.

 2) POR QUÊ EM ALGUMAS MULHERES APARECEM RACHADURAS NOS SEIOS?
A ocorrência das rachaduras está normalmente relacionada com a técnica incorreta de amamentação. Destaco dois aspectos importantes para evitar que este problema ocorra. O primeiro é a pega correta (ou abocanhadura correta). O bebê tem a boca bem aberta, com os lábios voltados para fora e abocanha não só o mamilo, mas boa parte da aréola, de forma que o bico do seio fica completamente no interior da boca do bebê, tocando o palato (céu da boca). Essa pega deve formar um vácuo, de maneira que não ocorra entrada de ar durante a mamada. O queixo do bebê encosta no seio e o nariz deve ficar desobstruído. O corpo do bebê fica em contato com o da mãe (barriga com barriga) e a cabeça, levemente elevada em relação ao corpo. Na pega correta, não se deve ouvir estalos durante a mamada, pois o som de estalos é provocado pela entrada de ar. A mãe deve ouvir o bebe ingerindo o leite.

O outro aspecto é relacionado ao esvaziamento das mamas. A mãe deve fazer a alternância das mamas de forma a garantir que ocorra o esvaziamento. Se a pega não estiver sendo feita corretamente, a sucção pode machucar a pele dos mamilos, que é mais sensível. E o fato da mama ficar repleta de leite, sem ser adequadamente esvaziada, também faz com que a pele se estique demais, ficando mais suscetível às rachaduras. Observo que é normal o mamilo ficar mais sensível nos primeiros dias de amamentação, já que a pele sensível está sendo exposta a um novo tipo de atrito, mas isso deve ser tranquilo, cicatrizar logo e não voltar a ocorrer. Se as rachaduras persistem, possivelmente há algum problema com a técnica.

É recomendado expor a região ao sol, pois assim há ativação dos melanócitos (células da pele) e a pele desenvolve maior resistência. Também é importante manter as mamas sempre limpas e secas. Para as rachaduras, o próprio leite materno ajuda bastante na cicatrização. Assim, após as mamadas, deve-se passar um pouco do leite na região ferida. Pomadas e cremes devem ser usados somente sob orientação do pediatra ou obstetra.

Na próxima semana, vamos abordar outros temas. Quer saber quais? Confira as perguntas que reservamos para a Parte II da nossa entrevista.

3) O bebê deve mamar nos dois seios todas as mamadas ou apenas em um?

4) Por que não devemos oferecer outros alimentos como chás, suco ou mesmo água ao bebê até completar os 6 meses?

5) Algumas vezes as mamães têm problemas para amamentar e desistem da tarefa trocando o leite materno por formulas lácteas, isso traz algum prejuízo ao bebê?

6) Existem mães que continuam a amamentar seus filhos mesmo depois dos 2 anos, isso traz prejuízos a criança?


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