Educação alimentar infantil

Educação é tudo. Quando usamos o velho – e muito sábio – jargão, quase sempre pensamos apenas em educação na forma de falar e agir. Mas ele também pode ser aplicado na hora de ensinar nossos filhos o valor e a importância da educação alimentar.

A boa alimentação durante a infância é importante para o crescimento e desenvolvimento da criança. Mas os benefícios vão além: ela também pode representar um dos principais fatores de prevenção de algumas doenças na fase adulta.

Já falei anteriormente com vocês a respeito da importância da amamentação (a parte 1 AQUI e a parte 2 AQUI) no desenvolvimento do bebê. E no que diz respeito ao desenvolvimento de preferências alimentares, estudos apontam que o leite materno oferece uma grande complexidade de sabores que vão facilitar o desmame e a transição para a alimentação sólida e diversificada.

Recomenda-se que a partir do sexto mês comece a introdução progressiva de novos alimentos, além do leite materno, no cardápio do bebê – que nesta fase está em rápida fase de crescimento e necessita uma nova gama de nutrientes. Alimentos com alta composição calórica, como os ricos em gordura, são os mais apreciados, assim como está demonstrada uma grande apetência dos bebês recém-nascidos pelo doce e salgado. Esta preferência, provavelmente inata, tende a diminuir ou até mesmo desaparecer se a criança tiver pouca oportunidade de consumir estes tipos de alimento. O contrário também é verdadeiro: o contato e a experiência com alimentos doces e salgados será responsável por grande preferência e consumo nos anos seguintes.

Por isso, na educação alimentar vale outro jargão: é de pequeno que se torce o pepino. As atitudes das crianças são, frequentemente, reflexos do ambiente em que vivem – e esta característica se estende à mesa. Boas práticas alimentares serão aprendidas e seguidas ao longo da vida. Por outro lado, um ambiente desfavorável poderá propiciar condições que levam ao desenvolvimento de distúrbios alimentares que, uma vez instalados, podem permanecer na fase adulta – e a mudança de um comportamento alimentar a longo prazo é um objetivo com elevadas taxas de insucesso.

Eu sei o quanto é difícil proporcionar uma alimentação saudável aos pequenos pela correria que é o nosso dia-a-dia. Mas vale a pena avaliarmos nossas opções e comportamentos agora, para garantir um futuro saudável a nossos filhos. E, olha, às vezes vale até insistir um pouco: segundo os pediatras, um alimento novo ou que é rejeitado deve ser apresentado à criança de 8 a 10 vezes antes de “acharmos” que eles não gostam.

 

 

 

[Artigos utilizados]

Alessandra Rossi;Emília Addison Machado Moreira; Michelle Soares. Determinants of eating behavior: a review focusing on the family. Rev. Nutr.,Campinas, 21(6):739-748, 2008.

Victor Viana, Pedro Lopes dos Santos & Maria Júlia Guimarães.Comportamento e Hábitos alimentares em crianças e jovens:uma revisão da literatura. PSICOLOGIA, SAÚDE & DOENÇAS. 209-231;208

[Fotos 1 e 2: Chrissi Nerantzi]


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