O beabá do teste do pezinho

O pequeno nasceu e, agora, além de muito carinho e amor, precisamos zelar pela saúde dos nossos bebês e deixar de lado alguns dos nossos medos, como, por exemplo, o de agulha. “Como assim agulha? Ah, não!”, você pode estar pensando. Esta é a dúvida de muitas mães e pais. Mas é importante: a triagem neonatal, conhecida popularmente como teste do pezinho, é o primeiro exame laboratorial que nosso bebê faz depois de vir ao mundo e detecta precocemente doenças metabólicas, genéticas e infecciosas que poderão causar alterações no desenvolvimento neuropsicomotor do bebê. Com isso, um possível tratamento pode ser iniciado já nas primeiras semanas de vida do bebê.

COMO É FEITO?
O teste é idealmente realizado entre o 3° e o 7° dias de vida. A coleta do sangue é feita a partir de um furinho no calcanhar do bebê – fiquem calmos mães e pais, essa é uma região rica em vasos sanguíneos e a coleta do sangue é feita rapidamente com um único furinho (é quase indolor, porém, como a dor ainda é uma sensação nova para o bebê, ele chora bastante, mas nada que o colinho depois da coleta não resolva, né?). O sangue é então coletado em um papel filtro e levado para análise.

QUAIS DOENÇAS ELE IDENTIFICA?
Existem diferentes tipos de exame do pezinho. O Sistema Único de Saúde (SUS) instituiu o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), o qual cobre a identificação de até quatro doenças: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme e fibrose cística. Nossa! Quanto nome complicado! Mas o que são estas doenças e por quê são tão perigosas? Vamos falar um pouquinho sobre elas:

Fenilcetonúria é uma doença genética caracterizada pela ausência ou carência de uma enzima ligada ao metabolismo do aminoácido fenilalanina. Esse aminoácido está presente na proteína de vários alimentos, como a carne, o leite e os ovos. Quando ele não é “quebrado” adequadamente por uma enzima, ele se acumula no corpo, o que pode levar a graves lesões no sistema nervoso central, com comprometimento no desenvolvimento neurológico da criança.

No hipotireoidismo congênito, há uma baixa produção dos hormônios da glândula tireoide, que são essenciais para o desenvolvimento do sistema nervoso do bebê. A carência desses hormônios pode causar uma série de problemas, incluindo retardo mental e comprometimento do desenvolvimento físico.

Já na anemia falciforme, que é hereditária, os doentes chamados de falcêmicos possuem uma alteração na hemoglobina, que assume formato de foice ou meia-lua, alterando também a forma do glóbulo vermelho, prejudicando sua passagem por veias e artérias. Essa dificuldade pode levar a uma oxigenação deficiente do organismo e gerar complicações em praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo. Existem vários graus de anemia falciforme.

Por fim, a fibrose cística (também chamada de mucoviscidose), é caracterizada pelo transporte deficiente do cloreto e do sódio nas membranas celulares, o que leva à produção de um muco grosso e pegajoso. Esse muco pode provocar entupimento nos pulmões, causando dificuldades respiratórias e facilitando a proliferação de bactérias. O suor apresenta altas concentrações de sódio e cloreto, e há insuficiência no pâncreas, o que afeta a digestão.

Hoje, já existem versões mais ampliada do teste do pezinho, nas quais é possível identificar mais de 30 doenças antes que seus sintomas se manifestem. Este é um recurso sofisticado e bastante caro, ainda não disponível na rede pública de saúde. Geralmente, quanto maior o número de doenças detectadas, mais caro é o exame. Existem ainda exames complementares que também podem ser realizados com o sangue do papel filtro do teste do pezinho, dependendo da solicitação do pediatra.

Então, mães e pais, não se esqueçam de que o teste do pezinho é essencial para o bom desenvolvimento da saúde do seu bebê, que é obrigatório e o básico é gratuito. Converse sempre com seu pediatra caso haja a necessidade da realização de um teste mais ampliado. Até a próxima!

 

Foto/imagens: (1) e (3) divulgação; (2) stock.xchng


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