Diário de NY #16: as 25 horas de um aniversário



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Com frequência tenho falado em novos hábitos, em alteração de rotina, em aproveitar oportunidades e se dispor a fazer as coisas. Sim, estas são algumas das questões de uma vida de mudança, de um período fora do lugar onde você está habituado, em especial se você sabe que o período é limitado. Ainda que no meu caso não seja um período tão curto. Um ano é um bocado também. Mesmo assim, eu faço contas de que estou passando por datas, por exemplo, uma vez. Um natal, um carnaval (ou um não-carnaval), um inverno e um aniversário. E sobre isto, algumas hábitos mantemos independente do lugar e outros são totalmente novos ou renovados.

Todos os anos, desde quando eu nem me lembro, meus pais me ligam no dia do meu aniversário no horário exato do meu nascimento, às 7h35 da manhã, não importa onde eu esteja. Este ano não foi diferente. Aliás, devo dizer que já espero e é a única coisa que não pode mudar. Senão acho que não seria nem meu aniversário. Na verdade a invenção foi da minha mãe, que acorda cedo (e até pra ter filho foi assim), acorda meu pai e, juntos cantam parabéns a você. Esse ano teve duas coisas diferentes em relação a esse hábito comparado aos outros momentos em que fizeram isso à distância. Foi a primeira vez por Skype. Então pude vê-los cantar o parabéns, ao invés de apenas ouvir. Vi meu pai com cara de sono e minha mãe puxando o coro. A outra alteração foi de fuso-horário. Mantemos, logicamente, a hora de Brasília independente de onde eu esteja porque trata-se do meu local de nascimento. Então, me ligaram às 6h30 da manhã, hora de Nova York nesta época do ano. Ainda bem que trata-se da época do ano com menor diferença de horário com relação ao Brasil. Mas não me acordaram não! Ahaaa! Como mais uma mudança de rotina, este é a hora que acordo todos os dias aqui para levar o Gabriel para a escola. Como ele só é acordado às 7h, perdeu a cantoria do parabéns desta vez. Nada que a família não tenha repetido uma hora depois, antes dele sair para sua aula. Até porque ele ficou uma fera quando soube que todo mundo tava me dando feliz aniversário pelo Facebook. “Não mãe, é só a família que tem que dar parabéns”, me disse o canceriano emotivo e dramático já aos prantos no café da manhã. Fiquei em dúvida se ele não queria me dividir com mais ninguém ou se queria que fosse o aniversário dele, já que no dia anterior tinha pedido para antecipar o dele para o mesmo dia que o meu, senão ia demorar muito ainda. Ele faz em junho. Bom, acho que foi um pouco das duas coisas. Mas depois dos avós cantarem pela segunda vez, com ele junto no coro, enxugou as lágrimas, se sentiu valorizado e “autorizou” que eu poderia receber felicitações de todo mundo. Ufa!

Mais uma mudança foi fazer aniversário na primavera! Claro, no Brasil nasci no outono. Por isso mesmo sempre gostei mais do outono do que da primavera. Mas aqui a primavera é exuberante, principalmente porque o inverno é tão rigoroso. As árvores, que ficam secas, sem nenhuma folhinha pra contar história, estão magicamente brotando, ficando verdes e cheias de flores. Nos parques, nas ruas, nas casas. É incrível, uma vez que começa, e quando não vêm naturalmente, as pessoas ainda ajudam plantando flores em pequenos canteiros. A tal selva de pedra é muito mais verde e colorida naturalmente do que parece.

Só uma questão aqui. O período é exuberante mas no exato dia do meu aniversário parecia um dia de inverno. Choveu o dia todo, com um vento que fazia a chuva fina cair de lado e uma temperatura de 9 graus celsius. E agora, o que fazer? Como eu disse, o período de uma mudança de vida e de casa como este exige iniciativa cotidiana para fazer coisas diferentes e mesmo na adversidade.

A chuva caía com capricho. Ainda assim colocamos nossas botas de chuva, eu e Gabriel, e fomos comemorar meu aniversário com amigos novos brasileiros que fizemos há menos de um mês e moram no Queens. Encontramos outra amiga no metro da Times Square e chegamos ao Queens com mais chuva ainda. Lá fomos nós com várias guloseimas na mochila molhada e nossa amiga com as garrafas de vinho. E tive uma noite de aniversário super agradável. Inesperada e divertida. Para uma taurina, que deveria ser bem mais fixa, acho que até que me aventuro um bocado. Gabriel adorou mais ainda porque estava com “a galera”, que, junto com “a família”, é das coisas que ele mais aprecia.

DIÁRIO VISUAL

SURPRESA DE ANIVERSÁRIO! Olha o que ganhei do meu Café preferido em NY, o Artopolis!!! Claro que contei que era meu aniversário, mas a borboleta foi surpresa deles, junto com o “feliz aniversário”. :-)

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MAIS BORBOLETAS! Uma exposição com borboletas no Museu de História Natural. Todas vivinhas voando em volta da gente. Pro desespero do Gabriel…

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PERSONAGENS DE NOVA YORK No meio da Broadway… Em Uptown… Esse cara sempre está ali com seu tabuleiro de xadrez. Quem quer jogar, para e joga. Adulto, criança… Estamos interessados em aprender xadrez. Há tempos. Nesses jogos na rua  que temos visto aqui, além da ocupação linda do espaço da rua, tenho aprendido sobre a postura dos jogadores. Ele movem as peças com uma mistura de confiança e desafio do oponente. Legal de ver. Cavaleiros mesmo jogando. E o rei quase nunca ataca. Quase sempre corre. O peão que se ferra mesmo.

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VIVA MÉXICO! Vimos por acaso na Universidade de Columbia essa apresentação de um grupo mexicano. O tema da imigração é um dos mais importantes do país, especialmente em Nova York.


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