Diário de NY #18: onde achar a música em Nova York



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Em vários dos textos sobre nossa estada em Nova York tenho falado sobre música. Muito por gosto pessoal, meu e do Gabriel, mas também pelo que oferece a cidade, este é um tema que ainda vai aparecer um bocado por aqui. Já falei de música no metrô, na ópera e no balé, de música no parque, em Columbia ou na escola do Gabriel. Aqui em casa a caixa de som é mais central que a televisão e capta por bluetooth nossa seleção musical no iphone, no ipad, no ipod. E pode tudo. Ouvimos um tanto de coisas. E experimentamos em NY outro tanto como trilha sonora. Desta vez queria falar sobre outros lugares para encontrar a música da cidade.

Por indicação de amigas brasileiras que conhecemos aqui, fomos para no terceiro andar do prédio 555, da Edgecombe Avenue, no Harlem. E lá encontramos uma senhora de 80 anos que há décadas abre sua casa todos os domingos para a boa música. A sala, a cozinha, o corredor do pequeno apartamento são tomados de cadeiras e bancos para que as pessoas assistam um bom jazz e outros ritmos. Marjorie está durante duas horas ao piano. No domingo que fomos tinha também clarinete, baixo e sax. Eles fazem um intervalo de uns 15 minutos e o restante é música. Servem um suquinho, umas barrinhas de cereal. Não cobram nada de ninguém a não ser o pedido de doações espontâneas num balde de metal como fazem as bandas em casas noturnas por aqui.

Chegamos e já tinha recém começado, às 4 da tarde. Eu e Gabriel não conseguimos lugar pra sentar que desse pra ver a apresentação. Ele logo disparou: “mãe, quem tá dormindo devia ir embora e dar lugar pra gente que quer assistir”. Mas não tinha ninguém dormindo. Era parte da plateia que cerrava os olhos pra se envolver ainda mais com a música, que se alternava entre aqueles improvisos deliciosos do jazz, num duelo entre o aquele baixo brandão e o piano de Marjorie, e músicas quase melancólicas que fizeram a pianista e a plateia se emocionar. Ao invés de “me livrar” de parte da plateia, como ele sugeriu, dei aquele jeitinho que é fácil pra qualquer criança. Encorajei Gabriel a ir pedindo licença pelo corredor até para quase embaixo do piano. E lá ele ficou a primeira parte inteira do show, com os olhos vidrados pelo som e pela execução dos músicos. Como é muito melhor ver e ouvir música do que só ouvir. Eu prefiro. E acho que ele também porque, de tão atento, chamou ele mesmo a atenção dos músicos. Eles me disseram isso depois, quando fomos cumprimentá-los.

Já à vontade no espaço, Gabriel foi se apresentar e dizer que tocava bateria e cajón e queria tocar baixo (o brandão) e piano. A mãe feliz ajuda um pouco na tradução e no papo. Gabriel e Marjorie batem uma foto juntos para registrar esse lindo momento de boa música, encontro de gerações e felizes desconhecidos que ocuparam o domingo na casa dela. Todos são bem-vindos. É só chegar e abrir a porta. Não precisa nem bater.

E continuamos seguindo o som. Ainda teve balada com os amigos direto da casa da Marjorie para o Silvana, um bar no Harlem, que aceita a presença de crianças até às 23 horas. Lá o Gabriel terminou de esbaldar, com amigos e música ao vivo, dançou, comeu e até ajudou o garçom. E mamãe, em função da disposição do bar, que fica no subsolo, da ajuda dos amigos, que ajudam a cuidar dele, e pelo gosto que Gabriel tem de estar na “balada com a galera”, consigo relaxar, conversar e tomar uma taça de vinho. Ele dá um cansaço, do alto dos seus quase 7 anos, mas também vira melhor amigo de infância de todos do grupo. Beija um por um antes de irmos embora quando já passava da meia noite e os atendentes já avisam da restrição à presença dele pelo horário. Felizes e musicados, fomos pra casa num táxi amarelo.

Aguardem que em breve tem mais música por aí. A temporada de shows gratuitos por toda a cidade, em especial no Central Park, vai de junho a agosto no Summer Stage 2014.

 

DIÁRIO VISUAL

 

VÍDEO Confira um trecho da apresentação que vimos na casa da Marjorie!

 

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PEQUENO LEITOR Sequência de “flagrantes de leitura” na biblioteca pública do bairro. Ele lendo Batman e outros num dos corredores. E eu de volta para entender como falar da dor dos outros, em Sontag…

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FUTURO Ao fim de uma semana de formaturas em Columbia, Gabriel ficou com os balões e a ideia do que é fazer um curso, escolher uma profissão, se formar e fazer uma baita festa depois disso.
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DOENTINHO Dia de chuva, dor de garganta, comidinha e até pipoca e salgadinho…

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