Escola: o que é melhor?

Editorial_French-Toast_edit2

Foto: Javier Ferrer Vidal para n.magazine (editorial French Toast, ed. 07). Clique e confira.

Escola é um assunto que me deixa de cabelo em pé. Porque trata-se de um – entre outros tantos – temas da maternidade para os quais ninguém tem resposta pronta. Aí é que mora o perigo: quando não há consenso, todo mundo se acha no direito de dar pitaco e ser o dono da verdade. E salve-se quem puder, pois chovem opiniões bizarras.

Começando pela pergunta, muito comum neste início de ano letivo: qual a idade ideal para matricular uma criança num colégio ou creche? Pois é, não tem. Há especialistas que dizem que deve ser a partir dos dois anos. Outros, chutam lá para cima, e colocam com sete anos. Já outros, não veem nenhum problema em um bebê de 6 meses estar na escola. Entretanto, a maioria fecha nos três anos de idade. Este seria, em tese, o mundo ideal. Mas sabemos que nem sempre faz parte da realidade. Meu filho foi matriculado pela primeira vez quando estava prestes a completar dois anos – considero muito cedo, confesso. Tanto que esta decisão me atormentou demais. Acabei me aquietando porque fui auxiliada por uma excelente professora, com 20 anos a mais do que eu, de vida e experiência com crianças. Disse-me ela: “Realmente, o ideal seria que a criança ficasse em casa pelo menos até os três anos, sendo cuidada pela mãe, pai ou alguma pessoa muito próxima. O ambiente de aconchego, afeto e atenção constantes são essenciais para estruturar seu início de vida. Contudo, a pergunta que você deve fazer é: existem condições reais e emocionais de alguém passar 24 horas do dia apenas se dedicando ao meu filho, sem recorrer a artifícios que podem ser muito danosos a esta idade como televisão constante, jogos eletrônicos, e afins? Quem vai cuidar dele? Dependendo de como é a rotina da criança dentro de casa, é preferível então que ela esteja numa boa escola, pelo menos parte de seu dia, em que esteja cercada de afeto por todos os lados”.

Acredito que, a despeito do que dizem os milhões de especialistas (os reais e os palpiteiros), a escolha da escola para os pequenos deve ser baseada no amor. Independentemente da pedagogia (até porque, convenhamos, o vestibular está longe), o que importa neste início de vida é a dedicação à criança e o amor que ela receberá dos cuidadores. Conheci muitas escolas por aí que oferecem lindas teorias, são aclamadas, mas os professores que não demonstram nenhum envolvimento afetivo com as crianças. Tem que abraçar, beijar, pegar no colo, olhar nos olhos. Criança pequena precisa disso, especialmente quando chega em um ambiente fora de casa, que é hostil e agressivo por natureza.

O problema é que encontrar seres humanos dispostos a amar incondicionalmente, considerando o filho do outro como seu próprio filho, é como achar agulha no palheiro. Mais fácil será chegar em escolas que oferecem aulas de inglês, música, artes, ginástica, e até matemática para bebês. Profissionais talentosos, bem formados, e que, por conta disso, convencem os pais que estão dando o melhor aos seus filhos – sem lembrar que a estrutura emocional, que depende do amor, forma-se agora, na primeira infância. O restante – como triângulos, quadrados e retângulos – tem o resto da vida para serem aprendidos.

 

 

 

<Anterior     Próximo>


COMPARTILHE!




LEIA TAMBÉM: