Páscoa: tradições e simbolismos

As comemorações da época de Páscoa têm origem anterior à celebração cristã de ressurreição e glorificação de Jesus. Várias simbologias e tradições de outras festas anteriores ao cristianismo foram assimiladas para a construção do que hoje conhecemos como Páscoa.

Ao contrário do que acontece no Brasil, onde o outono já começa a esfriar os ares, no Hemisfério Norte ela marca a abertura da primavera. Não à toa, na tradição germânica a celebração de Páscoa está relacionada à antiga festa em homenagem à deusa da fertilidade Ostara – daí o nome Ostern Fest. Marca o fim de um gélido período e o reaparecimento das flores, folhas, animais… enfim, da vida.

Na tradição judaica, a celebração rememora os festejos da saída dos judeus do Egito. Uma época de jejum e penitência e, depois, de explosão na festa, com fartura de comidas especiais, congregação familiar e uma série de signos que se mantém há bem mais que 2.000 anos.

O cristianismo encampa as festas pela chegada da primavera e pela chegada do povo hebreu à Palestina, comemoradas nesse período, e agregam parte de seus rituais à festa da ressurreição e glorificação de Cristo.

Criam-se tradições e símbolos. O ovo como início ou continuidade da vida. A árvore seca que volta à vida, depois do inverno – simbolizado na osterbaum, a árvore de Páscoa, decorada com coloridos ovinhos pintados. O coelho como representante da fertilidade, em profusão em toda a natureza durante a primavera. O fogo como o amanhecer e o renascimento da luz e do calor. A água da fonte, que volta a jorrar, depois de meses de frio. E, claro, os pratos de festa, para o domingo de Páscoa.

Nas terras de colonização alemã de Santa Catarina e de outros estados ainda se preservam muitas dessas tradições e desses símbolos. No sábado anterior à Páscoa, as crianças fazem os ninhos, onde o coelho (Osterhase) colocará os ovos durante a noite. De manhã cedinho todos se levantam para colher esses ovos. É uma festa! Os ovos são os de galinha pintados, enfeitados, cheios de amendoim com açúcar – os de chocolate só recentemente apareceram para juntar-se a essa tradição.

No café da manhã a fartura é celebrada numa mesa repleta de cucas, ovos cozidos pintados, pão e outros quitutes. Para o almoço, prepara-se o Osterbraten, que pode ser cordeiro, frango, ou, em especial, é o prato feito com uma ave aquática: pato ou marreco. O banquete segue pela tarde no domingo de Páscoa, em um verdadeiro café colonial com vários tipos e sabores de cuca, bolos e tortas. E, é claro, não pode faltar o pão shmiado com linguiça, requeijão e doce, ou ovo cozido com sardinha em óleo (a de latinha).

Como se vê, é uma festa. A festa do renascer e da fartura, a festa da ressurreição.

Fotos: reprodução www.pinterest.com/nmagazine

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