Falando inglês em NY



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Talvez o aprendizado do idioma, numa viagem como a nossa, seja das coisas mais interessantes, complexas e desafiadoras de toda a aventura. Das dificuldades e ganhos que um adulto pode ter ao tomar contato com outro idioma é fácil de dizer. Mas o bom mesmo é ver um menino de 6 anos nesse processo de, aos poucos e com muita coragem, ir tomando a língua para si. Gabriel chegou aqui com nenhum inglês, a não ser com as frases “What’s your name” e “My name is Gabriel”. Após quatro meses, ele ainda não adquiriu fluência nem a compreensão integral do idioma para ter autonomia completa na conversa, mas me surpreende a cada dia.

Depois de uma semana em Nova York passou a frequentar uma escola pública em nosso bairro, o de Morningside Hights, que é o bairro da Universidade de Columbia. Posso dizer que a adaptação foi de cara passar seis horas por dia com a nova turma, os novos amigos e a nova professora ouvindo só inglês. Eu o acho muito corajoso para encarar esse desafio. E ele tem conseguido. Apesar das dificuldades da idade (ah, os 6 anos!!), do frio, da falta das “férias de verão” (porque afinal emendamos dois invernos) e de ter que acordar às 7 horas da manhã (no Brasil ele estudava à tarde), ele tem se saído muito bem.

O primeiro desafio foi logo aprender o nome da professora. O que já não foi tarefa fácil. Ela de Miss Serpico, que é seu sobrenome. E pra encarar o “Miss Serpico” ele até fez uma musiquinha, claro. Como sempre, a música o ajuda a entender o mundo. Depois ele foi adotando palavras e expressões, um pouco inclusive pra sobreviver na escola. Eu ensinei “Can I go to the bathroom?” (Posso ir ao banheiro?). E ele passou a usar direto até quando não queria fazer xixi. Quando ele via uma mãe e um filho na rua em altas conversações em inglês, logo mandava um “Can I go to the bathroom” só pra mostrar que também sabia falar o idioma. Depois ganhou o “Can I play” (Posso brincar?), boy, girl, mommy (ele adora me chamar de mommy em público), “Let’s go” (Vamos lá), “Stop talking” (pare de falar). Ele tem preferência pelas expressões mais imperativas, claro. É parte da personalidade da figura.

Agora ele está numa fase nova. Ele começa a juntar as palavras para formar frases. E elas fazem sentido. Ele já começa a se virar a formar sentenças mais complexas. Falta ainda fundamentos da gramática como preposições, artigos, jeito de perguntar e de responder. Mas já consegue avisar a mãe do amiguinho que fez no nosso prédio que nāo quer mais brincar na casa dele e quer subir com o garotinho para brincar na nossa casa. Can Gabriel and baby (o amigo) play together up mommy? E quando vi os dois já estavam na porta do nosso apartamento pedindo para entrar e brincar. Aliás, outro sinal de progresso no idioma é que ele já brinca sem a minha presença na casa do amigo.

Gabriel também tem trazido expressões inteiras e novas. Às vezes me pergunta o que quer dizer. Muitas vezes já sabe. E assim o vocabulário vai crescendo, a autonomia aumentando e a confiança em si mesmo também. Ele fica orgulhoso quando consegue se expressar bem e quando eu faço elogios. E sempre faço, claro.

O fundamental é que ele não tem vergonha de falar. E isso é uma qualidade maravilhosa das crianças e um problema recorrente aos adultos. Ele pede a conta nos cafés, fala com as pessoas na rua, se vira. e eu incentivo. Duas evidências mais que dão a certeza de a coisa só vai: ele já sonha em inglês (eu sei porque ele muitas vezes fala dormindo e já fala dormindo em inglês) e alterou a pronuncia do próprio nome de acordo como os americanos o chamam. De Gabriel passou a Gêibriel. E responde assim até quando perguntam em português o nome dele. Gabriel-fluente-em-2014. Mas ele não se acha “novaiorqueiro”, como ele diz dos que são daqui.

DIÁRIO VISUAL

Diario-NY_P2Mercado africano no Harlem! Massa! Anote aí: Malcolm Shabazz Harlem Market

 

Diario-NY_P6#semfiltro #snow . Do lado de casa hoje, em Morningside Height

 

Diario-NY_P4Alguém quer dar uma voltinha?

 

Diario-NY_P3Aula conjunta de culinária na loja Williams-Sonoma. Mamãe faz a tradução da receita e a dinda ajuda com a mão na massa e temos cinnamon rolls (rolinhos de canela).

 

Diario-NY_P5A neve caiu ontem, mas hoje insistiu em permanecer, essa linda. No dia seguinte sempre faz mais frio, mas é lindo quando bate o sol. Gabriel e eu concluímos, a caminho da escola, que as árvores são de chocolate com creme, a capela da igreja de Saint John é de biscoito com açúcar e as pessoas também são de biscoito.

 

Diario-NY_P1Late work. Debate sobre Soft Power X Hard Power, new diplomacy e a presença das mulheres em posições de poder. Estão discutindo como o uso da força perde espaço na relação entre países para a persuasão de iniciativas civis, de comunicação, reconstrução. Não fica tão claro se as negociações são mais justas e igualitárias ou se as “armas” são outras. Presentes, duas historiadoras de Columbia, uma ex-embaixadora dos EUA no Reino Unido e na Holanda e uma Coronel do Exército norte-americano que faz parte da missão do país na Otan


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