A força de uma mãe

A força de uma mãe (ou de muitas)

Como uma mulher pode influenciar na transformação do mundo? Ou como muitas mulheres podem fazer isso? Hoje ninguém duvida mais da força de muitas mulheres reunidas. Elas estão à frente de diversos movimentos sociais e muito se discute a respeito de que investir na educação de uma garota é o primeiro passo para melhorar a realidade em que ela vive (mas este é outro debate, se você se interessou por isso, dê uma espiada no site Girl Effect, imperdível.

 Uma das mulheres mais inspiradoras do mundo é Leymah Gbowee. Ela nasceu negra e quando tinha 17 anos, seu país, a Libéria, entrou em uma guerra civil que durou 14 anos. Pobre, mãe solteira de 4 filhos, morando com os pais, viu em sua trajetória de assistente social outras mães sonhando que suas filhas tivessem acesso a educação para um dia se tornarem alguém na vida.

Leymah Gbowee cansou de ouvir essas histórias e de ver mães chorando pela morte de seus filhos e maridos na guerra civil liberiana. Junto com as mulheres de sua comunidade, começou reuniões pela paz todas as terças-feiras ao meio dia. Aos poucos, outras mulheres ficaram sabendo desse grupo, queriam se juntar, conversar, discutir. E assim, mais mulheres foram chegando, elas se vestiram de branco, fizeram vigília no caminho do palácio presidencial, cantaram, dançaram, fizeram greve de sexo. Tudo isso para colocar um fim à guerra.

No ano passado, ela foi uma das ganhadoras do Prêmio Nobel da Paz. Quando questionada sobre sua motivação, ela respondeu “nossa sobrevivência, a sobrevivência dos nossos filhos, a sobrevivência da nossa comunidade”.

Lembrei dela porque estava ouvindo uma entrevista que ela deu para uma rádio francesa quando lançou o livro Nossa Força é Infinita. Em uma de suas falas, ela citava uma frase de Eleanor Roosevelt, ex-primeira dama dos Estados Unidos, uma das primeiras mulheres ativista em direitos humanos: “as mulheres são como tea bags, você só saberá o quanto forte elas são quando em contato com água quente.”

Quando ela disse isso, eram outros tempos. Fiquei com a frase na cabeça e também com a pergunta: será que temos que agir apenas quando o caldo entornar? Quando estivermos no meio de uma guerra civil?

Acho que o mundo está mais complexo e as tea bags evoluíram.

Eu (ainda) não sou mãe, mas tenho um instinto de cuidar. Também acredito que isso não é um instinto exclusivamente feminino. Cuidar de si, da família, dos amigos, da comunidade, do mundo, é necessário para a sobrevivência. Seres humanos fazem isso, estão dispostos a cuidar da natureza, do planeta, de tudo que pode gerar e inspirar vida. Imagina então do que uma mãe – ou muitas – são capazes de fazer juntas?

 

Erika-Kobayashi-perfil


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