Para gostar de ler

Como fazer uma criança se interessar por livros ou gostar de ler? Deve haver bons estudos científicos sobre o assunto. Agora, se você aceita uma receita caseira, por aqui funcionou assim:

O primeiro passo é mesmo ler. Meus filhos ouvem histórias desde que provavelmente não tinham nem discernimento para entendê-las. Eles gostavam do som da nossa voz, das imagens. E ler antes de ir para a cama virou parte do ritual que os ajuda a se acalmar, a se recolher. Quando o segundo filho nasceu, ouvia a história da irmã mesmo sendo bebê. Isso virou rotina e agora tem duas histórias toda noite.

Outra coisa que fazemos é ir reciclando e variando os livros. Temos uma coleção de preferidos, claro. Mas costumamos doar e trocar os que não têm lugar cativo no coração ou os que deixaram de ter graça para a idade. Fazemos isso com amigos da escola ou em feiras de trocas. E adoramos receber “heranças”. Gostamos de ver que um determinado livro que a gente também curtiu era antes de outra pessoa: um primo, um amigo. Que ela fez até um desenho numa página.

Deco+carolinha+tarrio+entre+letrinhas

Desde cedo: foto do filho de Carolina quando bebê

Também há em casa livros mais antigos. Uns até com avarias. Tudo bem. Nunca tivemos mesmo muita cerimônia com eles. Os livros ficam no lugar onde as crianças brincam, ao alcance da mão, para serem vistos quando der vontade. E embora indiquemos que tomem cuidado ao virar as páginas ou mostremos que livro não é feito para jogar no chão ou dormir em cima (muitas vezes eles querem levá-los para a cama), as crianças sempre puderam manuseá-los. Quando algum acaba “decorado” com desenhos ou com um pedaço rasgado, paciência. Fita adesiva transparente está aí para isso. A gente fala: “Puxa, que pena!” E conserta junto.

Dessa forma, os livros vão tendo sua própria história, ganham vida. Um carrega o desenho de alguém, outro o nome da pessoa que era seu dono antes, ou um rasgadinho feito por um pequeno que não sabia cuidar deles ainda. Alguns são de quando meu marido ou eu éramos crianças – e agradeço às nossas famílias por tê-los guardado! Assim nossos filhos podem dialogar com o menino ou menina que um dia fomos. Ver como eram antes as ilustrações, a linguagem. Inclusive achar muito bobo ou desinteressante o que a gente pensava que era o máximo!

A maior relíquia da casa é um livro que inicialmente foi da minha irmã mais velha, depois virou meu, foi para minha irmã mais nova, viajou de novo até a casa de sua dona inicial (em outro país!) para ser lido para a minha sobrinha – hoje uma jovem – e retornou às mãos da minha filha. Ele tem algumas avarias evidentemente – mas guarda também as assinaturas, com letra de criança, de todas nós na contra-capa. Ainda bem que era capa dura!


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