Minhas lembranças de Páscoa

Para mim e para a minha família, a época da Páscoa é mais ou menos como a do Natal. A casa inteira decorada! Cestas, ovos, coelhos, toalhas, enfeite na porta… uma verdadeira festa…

No começo do ano começava a comilança de ovos – sim, os de galinha (sem quebrar a casca inteira, apenas fazendo um buraquinho minúsculo no fundo). Tudo para, na época da Páscoa, ter uma boa quantidade de ovos para pintar e encher de doce (amendoim, pin-pin, amendoim doce, amendoin com leite condensado ou balinhas).

As novas “produções” sempre se somavam aos ovinhos do ano anterior, que, detalhe, não podiam ser quebrados – um cuidado imenso para crianças querendo loucamente tirar os doces de dentro de um ovo.

Na semana antes da páscoa, meus pais sempre tinham “reuniões” com o coelhinho para terminar de encher os ovos e deixar tudo pronto.

Muitas pessoas não devem estar entendendo direito, eu sei. Ovo? Com doces dentro? SIM! Normalmente ouvimos falar e vemos DIY de ovos de Páscoa pintados com os ovos cozidos, mas no sul-alemão-brasileiro temos a tradição de pintá-los vazios e encher de doce. O buraco é fechado com papel, colado com uma mescla de farinha e água, e assim que ganhamos na Páscoa.

Um dia antes da Páscoa, tínhamos que sair procurando “barba de velho” (um cipó conhecido por esse nome no sul do Brasil e que parece… uma barba de velho) para fazer os ninhos ao redor da casa. Por quê? Porque o coelhinho teria que ter o lugar aonde deixar os ovos de Páscoa no outro dia. E a ansiedade na hora de ir dormir? Pior que véspera de Natal.

No domingo, era sempre acordar, ter a mesa posta com o ovo cozido colorido para começar a festa e encontrar pegadas brancas do coelhinho.

Depois, o momento de maior ansiedade: a caça aos ovos. A disputa era acirrada. Como tenho dois irmãos mais velhos, acabava em desvantagem e tinha que brigar com eles para conseguir encontrar mais ovos e coelhinhos de chocolate.

Começar a procurar e ouvir nossos pais falando “Quente”, “Ih, tá frio!”, “Está esquentando!” era uma delícia. Engraçado como nunca nos perguntávamos como eles sabiam aonde estavam escondidos os ovos se quem tinha deixado era o coelhinho.

Pensa que era fácil procurar mais ou menos 200 ovos de galinha coloridos, mais os coelhos e ovos de chocolate, e mais as cestas de Páscoa enfeitadas e ainda tentar achar aqueles que você mais gosta para seus irmãos não pegarem? O exercício mais divertido do ano.

Depois, era reunir a família toda para dividir os doces – nessa hora entrava a democracia: quantidade igual para todos.

Mais engraçado era estar brincando depois de passados dias – ou até meses! – e encontrar algum ovinho ou um chocolate perdido entre as folhagens (pena que não dava mais para comer…).

Fotos: reprodução


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