A lenda do bebê calminho

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Uma das primeiras coisas que me perguntam sobre minha filha, de 10 meses, é se ela é “calminha”. Passei muito tempo querendo entender o que isso significa. Não sei se descobri a resposta, mas acho que tenho algumas pistas.

Para começo de conversa, o bebê calminho é aquele que dorme no mínimo oito horas, direto, todas as noites, desde que nasceu. Você bota o bebê calminho no berço e ele automaticamente fecha os olhos, acordando só no dia seguinte. Durante o dia, o bebê calminho dorme em qualquer lugar – dizem que até em estádio de futebol e show de rock.

O bebê calminho quase não chora. Na verdade, ele apenas emite uns resmungos, sempre baixinho para não incomodar, alertando que está com fome ou com sono. Mas isso quase ninguém ouve, então tudo bem.

O bebê calminho fica numa boa onde a mãe resolver colocá-lo. No carrinho, por exemplo, é capaz de passar horas, sem dar um pio. Na cadeirinha do carro, dorme imediatamente, então é possível marcar uma viagem rodoviária de Curitiba a Fortaleza sem nenhuma preocupação.

O bebê calminho frequenta restaurantes e bares sem reclamar. Espera sentado, mudo, todos comerem em paz. Adora shopping centers barulhentos, lojas de departamentos, ou ainda supermercados com filas quilométricas. Ou seja: ele gosta mesmo de um programa de adulto. Até porque, se ficar com sono no meio da balada, encosta e dorme.

O bebê calminho come que é uma beleza. Aprecia chuchu, espinafre, couve flor. É só sentá-lo no cadeirão e aparecer com um belo prato de sopa verde, que ele vibra de alegria.

O bebê calminho nunca fica doente. Tem uma saúde de ferro. Nunca ficou com o nariz catarrento nem com aquela tosse seca que inferniza as madrugadas. Também nunca deixou a mãe em pânico porque estava com 39 de febre e vomitava toda vez que ela tentava dar o antitérmico. Aliás, o bebê calminho adora tomar remédio.

O bebê calminho toma banho sem espernear, fica quieto para trocar a fralda, e mais quieto ainda quando precisa cortar a unha do pé.

O bebê calminho nunca faz birra. Ele espera pacientemente, por exemplo, a mãe conversar com as amigas pelo telefone, sem gritar para chamar a atenção. Nunca atirou nenhum controle remoto pela janela.

Sendo assim, costumo responder que minha filha não é um bebê calminho. Ela é apenas um bebê, que cumpre seu papel, comportando-se como tal. Quem tem um bebê calminho em casa pode dizer para o mundo que ganhou na megasena acumulada. Eu confesso que só vi um desses de plástico, à venda na loja de brinquedos perto de casa. E mesmo assim aquele lá não era tão calminho assim, pois fazia xixi na cama.

 


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