Não espere nada em troca

Mariana-Sgarioni_Dia-das-MaesOutro dia uma amiga, ou alguém que considera-se algo próximo disso, me mandou uma mensagem dizendo assim: “Não se iluda. Vá cuidar mais da sua vida. Seus filhos nunca reconhecerão seu empenho e, pior, jamais vão admirar você por isso”.

Acredito que ela estava se referindo ao fato de eu ter optado por não trabalhar fora por uns tempos. Eu nunca topei entrar neste FlaFlu “Mães que Trabalham Versus Mães que Não Trabalham” simplesmente porque acho essa briga idiota. Perda de tempo. Uma fica jogando farpa na outra como se, ao atacar, tentasse justificar sua posição – e amenizar sua culpa, seja lá qual seja.

Não defendo nem um lado, nem o outro. Primeiro porque não faço parte de nenhum dos dois. Depois porque ambos podem ter aspectos positivos e negativos – tudo vai depender das necessidades e do que cada um prioriza na vida.

Eu não deixei totalmente o mercado de trabalho depois que meus filhos nasceram – tanto é que você está lendo este texto agora. Entretanto, desacelerei muito, e trabalho em casa, o que permite que não saia de perto dos meus meninos e acompanhe cada passinho deles. São 24 horas por dia de dedicação, o que realmente é puxado. Mas me aponte um trabalho do mercado que também não seja cansativo, que não demande algumas noites em claro. Qualquer profissão dá prazer, mas também cansa de vez em quando.

Esta foi nossa opção aqui em casa, porque eu e meu marido acreditamos que nossos filhos precisam da presença constante de pelo menos um de nós nestes primeiros anos de vida. Entendemos que esta presença (quantitativa mesmo e não “de qualidade”, como muitos gostam de dizer) é decisiva na formação neuro-psíquica das crianças.

Agora convenhamos: seria muita ingenuidade esperar que daqui a 15 anos meus filhos vão me dar uma coroa de flores de rainha do lar, ajoelhar-se aos meus pés, e reconhecer todo meu empenho como um ato extremo de amor e abnegação. Quem espera este tipo de atitude precisa sair do mundo da fantasia e se cuidar.

Francamente, imagino que meus filhos depois de crescidos não vão me dar muita bola. Capaz até de me acharem meio patética – como todos os filhos adolescentes acham suas mães, aliás. Não crio meus filhos esperando algo em troca por uma razão: educação não é mercado de trabalho, toma lá dá cá, eu produzo e você me paga. Quem tem esta relação mercantilista em mente, precisa virar a chave ao ter filhos. Caso contrário, vai quebrar a cara lá na frente. Porque o “pagamento” não costuma ser o esperado.

O que me importa não é se meus filhos vão me achar a melhor mãe do mundo. Quero que eles se formem cidadãos fortes, inteiros, seguros, generosos, com a mente sã. Que não dependam de Rivotril pra levantar ou deitar na cama. Que enxerguem o mundo além do seu umbigo. As flores, bem, estas eu deixo pra outro dia qualquer.


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