Jogue seu coração

Meu sobrinho aprendeu a jogar coração, o coração dele, cheio de amor. Comecei a brincadeira no carro, a caminho do aeroporto de Florianópolis. Levava o “padinho” , como o João Pedro chama o meu marido, para retonar a São Paulo. O João adora aeroportos, adora aviões.

– Quem vai lá dentro, João?

– A Mimi (eu) e o “padinho”.

Quero morrer quando ele fala isso!

Voltando ao coração. No carro, pelo retrovisor, comecei.

– João, segura o meu coração!

Uni as mãos em formato de amor e lancei pra ele. Em resposta, o João une as mãozinhas numa tentativa de coração (fica parecendo um triângulo) e declara orgulhoso:

– Mimi, pega meu coração!

Pego, e guardo dentro da blusa. Até que um dia ele reclama:

– Põe na boca, Mimi!

Obedeço ao meu pequeno amor e arrisco perguntar o porquê. Silêncio!

O João aprendeu a jogar corações/triângulo e não só pra mim. Os pais, a Kaká e o Celo, são felizardos. Recebem toneladas de amor sem nem precisar pedir. Mas há quem se arrisque a solicitar o carinho, meio coração, quem sabe. É quando o João para e pensa. E nem sempre faz o arremesso. O coração dele não é pra todo mundo. Se ele lança é porque ama. Será assim para toda a vida?

Quantas vezes jogamos nosso coração pra quem não sabe ou não quer guardar direito? Pra quem não tem cuidado? Reflito sobre quantas vezes joguei meu coração só para agradar, sem desejar profundo? Da próxima vez que eu jogar meu amor para alguém vou ser como o João. Vou parar e pensar. Ah, o João sabe das coisas.

Foto: sxc.hu

Michele-Oliveira-perfil


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