Pro dia nascer feliz

maria+jesus+nmagazine+cha+de+fraldaDepois que me tornei mãe, nesta época de Natal, penso muito em Maria de Nazaré. No seu parto, na sua história. Que mulherão ela foi.

Maria engravidou, e deu à luz sozinha, em um estábulo, rodeada pela natureza, que assistiu ao parto em silêncio. Quando José chegou, homem maravilhoso que assumiu e amou uma criança sem que ela fosse seu filho biológico, Maria já estava com seu menino nos braços. Que cresceu, tornou-se um adulto forte e compassivo, mudando o mundo a partir de então. Mais de 2 mil anos depois, nós ainda celebramos este dia.

Faço questão de lembrar este evento em vez de falar em presentes e comilança natalina. Porque acredito, sinceramente, que, para mudarmos o mundo, deveríamos começar mudando nossa forma de nascer. Jesus nasceu e foi acolhido num ambiente sagrado. Foi imediatamente cuidado, amparado, acariciado. Sua mãe o recebeu com um olhar amoroso, e ele não saiu de seus braços aquecidos. Não havia ali remédios, ar condicionado, tapas no bumbum, respiração artificial, injeção na coxa, enfermeiras falando alto e levando a criança para ser esfregada em uma pia de tanque de maternidade. Naquele local, só havia amor, calma e respeito. Há um texto que diz que, quando a parteira chegou com José, para ajudar Maria, teria dito: “Esta criança que mal acabou de nascer e já suga o seio de sua mãe, será um homem que julgará de acordo com o amor e não conforme a lei”.

Nós celebramos o nascimento de Jesus, dizemos que precisamos de mais pessoas como ele, entretanto, cada dia mais agredimos nossos recéns-nascidos. Não estou dizendo aqui que deveríamos todos nascer em manjedouras, mas deveríamos pensar com mais carinho no nascimento. Começando pelas maternidades, que mais parecem shows de televisão, com fotógrafos e câmeras espalhadas por todos os lados. Ninguém se lembra que ali está começando uma vida – o que se quer é o melhor ângulo. Docinhos, lembrancinhas, adereços, trilha sonora. Quando meu filho nasceu, me ofereceram até serviço (gratuito) de manicure.

O pobre recém-nascido, a estrela da festa, é tratado como uma boneca de plástico: em geral, é retirado da barriga numa cesárea agendada desnecessária, portanto, sem saber que iria nascer naquele momento. Leva o maior susto quando é arrancado dali do quentinho, de cabeça para baixo, sob um ar gelado e luzes fortes que o cegam. Enfiam tubos em seu nariz para ser aspirado, é enxugado e embrulhado violentamente em panos ásperos, e levado para uma balança fria para ser medido, pesado e espetado com vacinas e remédios. Depois passa por uma verdadeira faxina, onde é esfregado sem dó. Chega todo cheiroso, de lacinho na cabeça, para apenas 5 minutos com a mãe – depois é levado para o berçário, onde fica sozinho, no berço, sem saber o que está acontecendo, enquanto a mãe dá atenção às visitas. Pense no que significa esta situação para alguém que há poucas horas ainda estava dentro do útero.

Nascer deveria ser um momento de profundo respeito. Todas as crianças podem ser potenciais meninos e meninas Jesus. Basta que os adultos olhem para elas como seres humanos.

Um grande abraço e até 2014.

Mariana

Imagem: Alexander Chaikin / Shutterstock.com

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