Segundo filho: quem disse que seria fácil?

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Eu queria saber quem foi que inventou que segundo filho seria moleza. “O segundo vai ser muito mais fácil, você vai ver”. Fácil? Não sei para quem. Tenho uma prima que diz que esta frase só existe para aumentar a taxa de natalidade do mundo – se nos dissessem a verdade, a espécie humana estaria fadada a diminuir consideravelmente.

Sou mãe recente de minha segunda filha, Estela, agora com quase 5 meses. Posso ficar horas discorrendo sobre a explosão de amor que ela significa, do quanto me sinto grata ao universo por ter parido esta menina, e do quanto me vejo refletida nos seus imensos olhos azuis. Mas, francamente, meus amigos: fácil, não é.

Imagino que os profetas defensores da facilidade estejam se referindo ao aspecto psicológico: no segundo, já sabemos (mais ou menos) o funcionamento de um bebê. Sabemos que ele vai se acabar de chorar por causas desconhecidas, que vai ter cólica, pereba, o pum não vai sair, o cocô vai ficar entalado, o umbigo vai cair, o vômito vai espirrar pelo nariz, enfim. Não tem mais pânico. Ao contrário do primeiro filho, aquele serzinho não é mais uma caixa preta e não nos causa desespero a cada espirro. Isso nos acalma consideravelmente – e suponho que seja por isso que dizem que é mais fácil.

Só não dizem a contrapartida. O segundo já nasce com uma família pronta, uma rotina estruturada, tudo em torno do primeiro filho. Pega o bonde andando e, de certa forma, ele e todo mundo tem que se virar para dar conta do recado. Desde que nasce aprende que vai ter que ficar aos berros esperando até que a mãe consiga arrancar o irmão do banho, correndo, para pegá-lo no berço.

Esta é a dificuldade do segundo: ele não está, nem nunca vai estar sozinho para ser atendido. E, assim, a vida dos pais, especialmente das mães, porque amamentam, vira uma gincana. Quando um dorme, é hora de brincar ou de resolver a vida do outro. Resultado: não descansamos nunca. Aquele sono que guardávamos para tirar quando o primeiro filho dormia, não existe mais com o segundo. Se antes nosso descanso era pouco, agora se tornou inexistente.

Uma cena corriqueira para ilustrar: depois de mamar várias vezes à noite, Estela dorme às 6 horas da manhã e eu suspiro de sono – justamente na hora em que preciso levantar para fazer o café e preparar Benjamin para ir à escola, que começa às 7h30.

E tem ainda o fator culpa materna, aquele bichinho danado que adora se alimentar quando há mais de uma criança em casa. A mãe sempre está em débito com alguém – desconfio que não vou sair do vermelho nunca mais. Se estou com um, obviamente, não estou com o outro – até porque ainda não aprendi como amamentar, balançar um chocalho, e jogar futebol ao mesmo tempo. Ou seja: dá-lhe culpa.

Alguém me explica onde tudo isso é mais fácil? O bom é que, do mesmo jeito que o trabalho é dobrado, o amor também é. Sabemos que eles crescem e todo esse perrengue acaba. Tenho certeza de que, daqui a uns anos, vou escrever aqui que a vida era muito mais fácil quando meu único problema era conseguir a proeza de trocar fralda, pular amarelinha, brincar de pique-esconde e cantar nana nenê – tudo sem perder o ritmo.


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