Teste: tanque de flutuação para grávidas

Grávida sofre. E não só por causa dos hormônios. O desconforto com o corpo cresce junto com a barriga. Em quase qualquer situação, achar uma posição adequada é muito difícil. Aí, chegam as dores, que acometem sobretudo a região lombar. Isso sem falar nas noites maldormidas. Parece até um treino do que vem pela frente. A gente acorda várias vezes para ir ao banheiro, afinal de contas, a bexiga perde espaço para o útero e, toda hora, tem um carinha se esticando. Sabe como é… Além disso, há quem relate sonhos, muitos sonhos. As vezes perturbadores, daqueles de tirar o sono mesmo. Resultado: no dia seguinte, estamos só o pó e poucas são aquelas que conseguem se entregar aos merecidos cochilos diurnos. Tudo piora, é claro, se você, como eu, está esperando seu segundo filho e tem um primeiro com todas as suas demandas por colo (é fácil aguentar 14 quilos mais um barrigão, viu!?), companhia no meio da noite e quetais…

Eu estava mais ou menos assim, em frangalhos, quando resolvi flutuar. Calma! A gravidez é pesada, mas ainda não me entreguei as drogas por causa dela. Ainda. Apenas aceitei o convite do pessoal do Samadhi Flotation Brasil, na clínica Inner Fit, para testar o tanque de flutuação que mimetiza a sensação que se tem ao boiar no Mar Morto, no Oriente Médio. Ali, as altas concentrações de sal permitem boiar sem esforço algum em suas águas. Dizem que, passado o choque inicial, é muito bom e relaxante.

O  tanque que eu testei é mais ou menos assim, só que sem paisagem. Em uma grande caixa escura, 600 litros de água e 350 quilos de um sal chamado Epson garantem a flutuação em apenas 25 centímetros de profundidade. O objetivo da experiência é promover relaxamento extremo. Afinal, além da impressão de que não há gravidade, a ausência de luz e de barulho e a temperatura ambiente semelhante aos 36 graus Celsius do corpo prometem colocar o cérebro em um estado, no mínimo, bem diferente do dia a dia. Por isso, as sessões de flutuação, populares em Londres e Israel, são indicadas para alívio do estresse, dores musculares e para quem sofre com as diferenças de fuso horário depois de viagens internacionais de avião, os jet legs. “Uma hora de flutuação é o equivalente a mais ou menos quatro horas de sono”, diz Helena Braga, proprietária do tanque.

Quando cheguei ao spa, eu estava exausta por noites maldormidas – eu tinha muito sono mesmo – e ainda sentia um pouco de dor na lombar e no ciático apesar da ótima sessão de shiatsu à qual havia me submetido no dia anterior. Depois de tomar uma ducha “para tirar a gordura da pele”, como orientou Helena, entrei absolutamente nua no tanque. Pode usar maiô ou biquíni, mas “o mais confortável é sem nada”, aconselhou-me ela. Titubeei um pouco antes de fechar completamente a porta e me entregar à escuridão, mas resolvi me encarar a experiência 100%. Logo de cara, o calor me incomodou um pouco. Senti falta de ar e, em seguida, vieram os espirros resultado da rinite que me incomoda quase o tempo inteiro. Resolvi parar de tentar respirar profundamente para amenizar o malestar causado pelo ar quente e fiz força para relaxar. Adormeci, mas acordei sobressaltada algumas vezes. Uma hora depois, uma música suave começou a tocar. Era sinal de que meu tempo tinha acabado. “Puxa, logo agora que eu estava curtindo mesmo”, pensei. Levantei, abri a porta e entrei no chuveiro ao lado do tanque.

Se eu relaxei? Bastante. Confesso que prefiro as massagens para tirar tensões e dores do corpo. Mas o grande diferencial da flutuação foi na compensação do sono. Saí de lá como se tivesse tido uma noite tranquiiiiila. Mais: recuperei o bom humor e assim fiquei durante os dois próximos dias, um sábado e domingo deliciosos, diga-se.

Ah! E se eu – ou você – tinha algum pé atrás quanto à higiene do negócio, Helena resolveu o problema ao explicar que, entre uma sessão e outra, o tanque passa por um tratamento que consiste em filtragem da água, ozonização para matar microorganismos, e controle químico. Ufa!

Fotos: divulgação

 


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