Escola de Bambu

Porque solidariedade não tem fronteiras e o mundo hoje é uma simples laranjinha

Já começo a coluna contando que reproduzi no título duas das melhores frases que ouvi nos últimos meses e que contam o que une um brasileiro e um liberiano, Vinicius e Sabato. Eles, que vivem em realidades aparentemente distantes, possuem hoje mais do que duas frases em comum: 300 crianças com a esperança de ter uma nova escola e solidariedade.

Vinicius Zanotti, 27 anos, é um jornalista brasileiro. Ele esteve na Libéria em 2010 e teve malária quando estava para encerrar sua viagem. Nessa “prorrogação”, ele conheceu Sabato Neufville, 34 anos, solteiro, pai adotivo de nove crianças órfãs de guerra na Libéria. Sabato é o principal organizador do “United Youth Movement Against Violence”, uma instituição que tem como finalidade dar educação a adolescentes liberianos.

Sabato e seus filhos cuidaram de Vinicius, que decidiu fazer um documentário visando arrecadar recursos para construir uma escola para as 300 crianças que vivem na comunidade de Fendell e frequentam gratuitamente a Escola de Bambu, mantida por Sabato. A escola que já existe, mas tem que parar a aula quando têm chuva (e daí as crianças brincam na chuva!) e paga aos seus professores um salário mensal de 20 dólares (mesmo assim, eles não trocam essa escola para dar aula em nenhuma outra na Libéria).

O que começou como um documentário virou um projeto que se chama Escola de Bambu. Mais do que um projeto, se tornou um movimento que tem ganhado o apoio de outros profissionais voluntários (os “bambuzeiros”), como o arquiteto André Dal’Bó, que fez o projeto do novo espaço, e do bioconstrutor Peetssa, que criou um gerador de energia fabricado com ímãs de HDs quebrados – a Libéria, país que tem o sexto pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo, também não possui uma rede pública de energia elétrica.

http://youtu.be/7fzScO5lJ8s

Desde que ouvi a história pela primeira vez, eu não parei de me perguntar o que podia fazer para contribuir. Primeiro fiquei contando para todo mundo a história da Escola de Bambu, o que deve ter rendido alguns cliques em “curti” na página que está no Facebook, depois, fui parar na festa que rolou para mobilizar recursos. Por último, participei de uma reunião com uns bambuzeiros e fiquei sabendo que o Ronaldo Fraga também está apoiando o projeto: ele criou uma camiseta para a escola que valoriza a linda textura do bambu em sua fachada. Ronaldo, um dos estilistas que mais admiro, trouxe o seu olhar e com ele tem incentivando pessoas a comprarem, mais do que uma roupa, o conceito por trás dela. O resto é ele quem conta.

A Escola de Bambu precisa arrecadar R$ 300 mil até o final do ano. Vamos ajudar!

 

Erika-Kobayashi-perfil


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