Entrevista: design infantil espanhol

“Não é apenas design para crianças, é uma maneira de ver o design”

Por Rocío Macho*

Cabideiro-àrvore

A criança que trazemos dentro da gente é a fonte de inspiração do estúdio espanhol de design Menut – que significa “pequeno” em valenciano, língua local de Valência, cidade onde está localizado. Ele é formado por três jovens que, em 2011, decidiram fundar um estúdio voltado ao universo infantil e, com criações fora do comum, trazer uma visão inovadora ao estilo de vida das novas famílias. Tem dado certo: sua coleção El Bosque en Casa ganhou o prêmio INJUVE 2012 e foi apresentada no salão NUDE, mostra que reúne novos designers e faz parte da Hábitat Valencia, importante feira de mobiliário da cidade espanhola.

Uma árvore-cabideiro, um tapete que imita las folhas do outono, estantes de livros com forma de animais e uma cadeira que se transforma em um teatro de marionetes compõem uma coleção que faz qualquer adulto abrir um largo sorriso. Como redatora do site especializado Spainhábitat, tive a sorte de conhecê-los no NUDE – e, confesso, foi amor à primeira vista. Juntos, voltamos a ser criança e, depois desta entrevista, regressamos à nossa vida adulta com novos ânimos. Apresento a vocês María Baldó, Daniel Ortega e MJ Velasco, a mente e a alma por trás do Menut Estudio.

 

María Baldó, Daniel Ortega y MJ Velasco

 

O que você pensava em ser quando crescesse?
MJ Velasco: Temo que minha resposta não é nada original… Queria ser artista!
Daniel Ortega: Qualquer coisa que envolvesse fazer e desfazer, montar e desmontar. Gostava de ver como funcionavam as coisas por dentro.
Maria Baldó: Nunca me fiz essa pergunta na infância… tenho feito o que gosto. Eu escrevia novelinhas e contos no meu quarto, fazia muitas atividades manuais, desarrumava a casa… Se você consegue tirar alguma profissão daí…

 Qual era seu lugar preferido da casa quando era pequeno?
MJ Velasco: O sótão dos meus avós, onde eles guardavam os móveis antigos. Eu levava todos os meus brinquedos e passava ali horas e horas.
Daniel Ortega: Gostava de me enfiar embaixo da mesa da sala de jantar e pintar a parte inferior dela. Eu acreditava que estava fazendo uma autêntica obra de arte, mas minha mãe não pensava o mesmo (essas diferenças entre adultos e crianças…).
Maria Baldó: O jardim da minha casa. É bem grande, cheio de árvores, animais e mistérios. Ali, estava sempre com minha cadela Gilda.

 E do que brincavam sempre?
MJ: De boneca, Barbie, Playmobil, Meu Pequeno Pônei… Juntava todos eles e criava uma família.
DO: Bolinhas de gude, esconde-esconde, polícia e ladrão… Qualquer atividade feita ao ar livre, sempre fui muito de brincar na rua.
MB: Aproveitava tudo o que o jardim me oferecia para construir cabanas e inventar histórias.

Quando criança, como via o mundo dos adultos?
MJ: Acreditava que se preocupavam muito e que viam dificuldade em tudo… Que simples eu era naquela época!
DO: Via como algo inacessível. Havia uma barreira que, à medida que fui crescendo, me parecia que não era aquilo tudo, não. No fim das contas, à nossa maneira, seguimos sendo como crianças.
MB: Sou a caçula da casa, então isso ainda me persegue. Os adultos tinham coisas muito interessantes, meu pai era pintor e ilustrador e tinha um estúdio no nosso sótão – imagine os tesouros! Minha mãe é pediatra e tinha mil brinquedinhos. Minhas imãs mais velhas tinham solução para tudo.

Por quê design para crianças?
MJ: Sempre tento fazer da vida uma brincadeira, e “divertir-se” é uma das minhas palavras favoritas. Por isso, o design para crianças é o caminho perfeito, adoro a liberdade que me dá para desenvolver minha criatividade e ficar numa boa.
DO: Não se trata de criar apenas para crianças: considero uma maneira de ver o design
MB: Quando criança aproveitei “criando” coisas para me divertir. Agora, que sou adulta e tenho novas ferramentas, desejo seguir fazendo o mesmo. A infância não é um período de tempo, ela segue com a gente e se expressa de vez em quando.

 

Rocío Macho é jornalista e redatora do site espanhol Spainhábitat. Expert no universo infantil, colabora com a n.magazine desde sua primeira edição, além de escrever para outras publicações do setor. Ela também já publicou em veículos como o jornal El País, na Espanha, e contribuiu para o guia Viagem Ilustrada – Espanha, da Viagem & Turismo, no Brasil.

 

* Entrevista gentilmente cedida à n.magazine pelo Spainhábitat, um portal informativo que reúne as principais tendências em design de móveis e decoração “made in Spain”. Vai lá: no site e no Facebook.


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