Viagem com bebês

Gosto de viajar. Gosto muito de viajar. E meu marido também. Desde muito antes de planejar a gravidez, nós já havíamos decidido que viajaríamos com nosso bebê também. Sem babá a tiracolo. E esse foi um dos poucos planos pré-natais que se mantiveram intactos depois que a Valentina nasceu. Com quase dezenove meses, ela tem passaporte carimbado em dois países e (contando os voos nacionais) entrou em aviões onze vezes. Ah! Ela também já sacolejou em ônibus, metrôs, trens e, claro, carros. É uma menininha viajada, portanto.

Apesar do nosso repertório, compreendo os casais que optam por esperar que os filhos cresçam até resolver levá-los para destinos de longa distância, como fizemos. Viajar com bebês é cansativo e exige que os adultos estejam dispostos a abrir mão dos roteiros a que estão acostumados para respeitar as necessidades do pequenino. Pensando nisso tudo, listei os prós e contras das jornadas familiares:

MOTIVOS PARA VIAJAR COM BEBÊS

Foto: Simona Balint

É OPORTUNIDADE DE CURTIR A FAMÍLIA BEM JUNTINHA Viajar em família significa ficar todo mundo junto praticamente o tempo todo. E mais: sem os afazeres domésticos ou compromissos sociais como visitar parentes, ir a festinhas e outras tarefas das quais não conseguimos fugir quando estamos em casa. Acredite: é muito bom.

A CULPA TIRA FÉRIAS Frequentemente escuto casais que viajam sem os filhos confessar um pinguinho de culpa por deixar os rebentos em casa com parentes ou com a babá para se divertir a dois, longe deles. Quando você leva a filharada nas costas, esse sentimento também tira umas férias.

VOCÊ APRENDE COM OS OUTROS Na minha opinião, uma das maiores vantagens de uma viagem é a oportunidade de entrar em contato com outras culturas, outros modo de vida. Mesmo que você vá para uma cidade vizinha, verá diferenças. Tal experiência é ainda mais enriquecedora quando se está com os filhos. Afinal, inevitavelmente você enfrentará uma situação em que vai ter que agir como as mães locais – provavelmente muito diferentes de você. Isso nos ajuda a sair da caixinha e ver como modelos diferentes de família funcionam muito bem.

O REPERTÓRIO DE SEU FILHO AUMENTA Eu sei que, daqui a dez anos, minha filha não vai lembrar do dia em que gritou “moça” para a Mona Lisa e “piquico” (como ela dizia “umbigo” até outro dia) apontando para o umbigo da Vênus de Milo, no Louvre. Mas eu creio que tais referências, assim como o cheiro, as cores e os sons dos lugares por onde passamos ficam armazenados no cérebro dela e serão, de alguma forma, acessados futuramente. Pode ser a maior viagem, mas eu gosto de pensar assim.

MOTIVOS PARA DEIXAR O BEBÊ EM CASA

 

Foto: Tomas Vogelsang/graphid.co.uk

VOCÊ VAI TER QUE FAZER CONCESSÕES Esqueça aqueles roteiros cheios de atrações imperdíveis, jantares estrelados, bares badalados e muita correria. Nada disso é possível (ou, pelo menos, não da forma que costumava ser) com os nossos bebês por perto. A viagem que dá certo com crianças pequenas é aquela toda pensada para que elas fiquem confortáveis. É bem provável que você precise alugar um apartamento em um bairro calmo, porém um pouco afastado, em vez de se hospedar em um hotel perto do burburinho. Você também terá de cozinhar vez ou outra e se preocupar com roupas lavadas. Vai ter ainda que planejar o dia, diminuir o ritmo e deixar de lado a vida noturna.

ESQUEÇA OS PROGRAMAS ROMÂNTICOS Jantares e momentos românticos até acontecem durante uma viagem com bebês – os filhos dormem, não é mesmo? Mas com uma frequência muito inferior do que quando vocês viajavam a dois. E, se você embarcar idealizando programas assim, vai se frustrar.

NADA DE PLANOS DE ÚLTIMA HORA Até dá para desviar a rota no meio do dia, mas dentro de certos limites. Antes, você vai precisar checar se tem fraldas, comida, leite, água e roupa suficientes, ou se não está na hora da soneca, do jantar, do banho… Bom, e, nessas, a aventura já foi por água abaixo, certo?

Foto: Maria Herrera

É MAIS CARO Não dá para fazer muitas economias quando se viaja com bebê. Afinal de contas, por mais que a fralda da farmácia no centro turístico da cidade seja um horror de cara, você não vai perder tempo pechinchando enquanto seu filho continua molhado. Além disso, é possível que precise pegar mais táxis do que se estivesse sozinho ou pagar uma diária mais cara para ficar em um hotel com quartos maiores (crianças precisam de espaço) e mais bem estruturados.

Apesar dos contras, o saldo final das minhas viagens com a Valentina é sempre positivo. Valeu a pena viajar de um jeito diferente para levar a mocinha conosco. Não troco nenhum dos dias em que tivemos que cozinhar no apê de 50 metros quadrados alugado em Paris por massagens cinco estrelas, noitadas, jantares românticos…

 


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